Cases destacam patrimônio cultural como propulsor da economia criativa e de destinos criativos

Iniciativas para impulsionar a economia criativa e os destinos criativos foram apresentadas na programação do 11º Encontro Brasileiro das Cidades Históricas, Turísticas e Patrimônio Mundial, nesta terça-feira, dia 03/12, no Complexo Casas das Histórias, em Salvador, Bahia. O Roteiro Quilombo Cultural de São Luís, o Movimento Salvador Capital Afro e o afroturismo constituíram o painel, mediado pela coordenadora de Afroturismo, Diversidade e Povos Indígenas da Embratur, Tania Neres.
Apresentando a atuação da Embratur, Tania ressaltou que a mudança de imagem do Brasil no mercado turístico começa a valorizar sua diversidade. “Queremos apresentar pessoas reais, com suas identidades autênticas, que representam a pluralidade do país”. O turismo criativo, segundo ela, deve focar nas pessoas que estão na ponta, aquelas que fazem o turismo diariamente.
O Brasil como um destino promissor para o afroturismo foi reforçado pela oficial de Diversidade do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), como um segmento que valoriza as raízes culturais afrodescendentes e impulsiona o desenvolvimento comunitário. Fernández destacou a importância do tema no contexto das políticas públicas em parceria com a Embratur. Para ela, o afroturismo não se limita aos aspectos econômicos; ele é essencial para fortalecer as comunidades, afirmar a América Latina e o Caribe como referência global.
A vice-prefeita de São Luís (MA), Esmênia Miranda, refletiu sobre o quanto as raízes culturais da cidade estão profundamente marcadas pela contribuição da população negra. “A cultura do nosso estado sempre foi construída por pessoas negras, e não podemos pensar o turismo sem considerar essa população”, afirmou. Com diversos grupos de expressões culturais, o território do Quilombo Liberdade representa o maior quilombo urbano da América Latina. O secretário de Turismo de São Luís, Saulo Santos, e a presidente da Fundação Municipal do Patrimônio Histórico, Kátia Bogéa, responsáveis pelo projeto, também apresentaram resultados e a potencialidade do projeto na perspectiva turística da cidade, saindo do centro histórico tradicional para explorar outros espaços.
Contar a história de Salvador a partir de uma visão decolonial é a raiz do Movimento Salvador Capital Afro, apresentado pelo subsecretário de Cultura e Turismo de Salvador, Walter Pinto. Relatou que o projeto teve início com investimentos do BID, e evoluiu para um projeto voltado a construir possibilidades de desenvolvimento no turismo cuja centralidade da discussão está nas pessoas envolvidas no processo. “Afinal como a população de Salvador de fato é impactada, ela pode ser protagonista, a partir daí entendemos que a população geram a riqueza e não ficavam com elas, precisávamos subverter essa ordem”, explicou. Assim surgiu Salvador Capital Afro, uma política pública participativa. Para ele, o plano Afro é um plano estratégico que está colocando mais empreendedores do mercado do turismo.
O 11º Encontro Brasileiro das Cidades Históricas, Turísticas e Patrimônio Mundial é realizado pela Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM), a Confederação Nacional de Municípios (CNM) e a Prefeitura Salvador (BA), com o patrocínio da Caixa Econômica Federal (CAIXA), da INFRAERO e do SEBRAE.