Centros de Interpretação Turística abrem o debate sobre revitalização e inovação em Salvador

Centros de Interpretação Turística abrem o debate sobre revitalização e inovação em Salvador

Especialistas internacionais apresentam suas experiências buscando contribuir com ações de valorização do patrimônio mundial do Brasil

O tema inovação e revitalização das cidades históricas abriu o segundo dia da programação do 11º Encontro Brasileiro das Cidades Históricas, Turísticas e Patrimônio Mundial, nesta terça-feira, dia 03/12, no Complexo Casas das Histórias, em Salvador, Bahia. O painel Turismo Criativo, Patrimônio Vivo: Inovação e Estratégias para Revitalizar Cidades Históricas foi mediado pelo superintendente do IPHAN na Bahia, Hermano Queiroz.

Coube ao diretor do Museu Nacional Soares dos Reis (Portugal) e consultor da OCBPM, Antonio Ponte, dar início à discussão apresentando o conceito e processo de criação dos Centros de Interpretação dos Sítios Patrimônio Mundial, em desenvolvimento pela OCBPM nas cidades patrimônio mundial do Brasil. Para ele, o primeiro passo é associar o conhecimento às comunidades locais. “Para que o patrimônio cultural tenha sentido, ele precisa ser mais do que um conjunto de bens e memórias: é imprescindível que haja uma apropriação coletiva. Por si só, patrimônio não existe, ele só ganha valor quando é reconhecido e preservado pelas comunidades, turistas e sociedade como um todo”, destacou Ponte. Nesse contexto, os Centros de Interpretação desempenham um papel estratégico, funcionando como ferramentas de transferência de conhecimento e sensibilização 

A reflexão sobre o turismo foi ampliado pela diretora executiva da Creative Tourism Network, a francesa Caroline Couret. Para ela, o turismo criativo está redefinindo o setor, oferecendo experiências autênticas que conectam o viajante aos destinos. “Trata-se de um novo modelo, onde os empreendedores tornam-se cocriadores, construindo junto com os atores narrativas locais que valorizam o intangível, como os valores humanos e culturais”, explicou a especialista. Essa abordagem ganha força em temporadas baixas, cria um ecossistema inovador com maior valor agregado, integrando as comunidades e os chamados dream makers.

A diretora executiva de Desenvolvimento Urbano, Água e Economias Criativas do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), Carolina Van der Huck Arias, da Colombia, apresentou como o Banco CAF tem apostado nas economias culturais e criativas como ferramentas para o desenvolvimento econômico sustentável e a inclusão social. Hoje, a cultura e a economia criativa representam em dados globais 3,1% do PIB global, 6,2% dos trabalhadores no mundo e 48% da força de trabalho feminina. “A cultura e a criatividade têm o poder de integrar socialmente grupos historicamente invisibilizados, como mulheres, populações afrodescendentes, indígenas e jovens, por isso representa uma agenda estratégica. Apesar da lacuna entre os dados locais e globais, o potencial de crescimento é enorme, especialmente nos países da América Latina e Caribe”, defendeu.

Por fim, Emerson Dindo, CEO DiALAB e Portátil, partiu da ideia de criar um acelerador de projetos de audiovisual, de forma a proporcionar uma imersao em Salvador para promover produtos Inovadores para o turismo a partir de linguagens artísticas. “Nosso objetivo é dinamizar a indústria criativa local, oferecendo treinamento, networking e oportunidades especialmente voltadas para pessoas negras no setor”, explicou. O projeto inclui a criação de circuitos turísticos baseados em locais icônicos onde filmes e séries foram gravados, reforçando a conexão entre o audiovisual e o turismo criativo. “

O 11º Encontro Brasileiro das Cidades Históricas, Turísticas e Patrimônio Mundial é realizado pela Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM), a Confederação Nacional de Municípios (CNM) e a Prefeitura Salvador (BA), com o patrocínio da Caixa Econômica Federal (CAIXA), da INFRAERO  e do SEBRAE.

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